Casas Bahia fecha lojas no Ceará e demissões geram revolta entre trabalhadores

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A crise financeira das Casas Bahia já começa a deixar marcas no Ceará. A companhia deve bilhões de reais em dívidas e anunciou o fechamento de centenas de lojas e milhares de desligamentos em todo o país. Mas forma como parte dessas demissões vem sendo conduzida está afetando os trabalhadores, segundo relatos recebidos pelo Sindicato dos Comerciários de Região, trabalhadores estariam sendo comunicados sobre o desligamento por telefone. Entre 30 e 40 trabalhadores foram demitidos no Estado após o encerramento de três unidades da rede, uma no bairro Montese, em Fortaleza, e outras duas em Pacajus e Itapipoca.

Para a entidade, a situação é inadmissível. A entidade considera um absurdo que trabalhadores que contribuíram durante anos para a empresa sejam dispensados dessa maneira, sem o mínimo de consideração e respeito pela trajetória profissional construída dentro das lojas. O sindicato também tomou conhecimento de casos de funcionários que, após o desligamento, não teriam recebido as verbas rescisórias. De acordo com o presidente do sindicato, Sebastião Costa, a empresa não teve nenhum plano de demissão voluntária, nem negociação com os funcionários e nem negociação com o sindicato.

A crise financeira da empresa não pode ser utilizada como justificativa para o desrespeito aos direitos trabalhistas. Os trabalhadores precisam ser tratados com dignidade e ter garantidos os direitos previstos em lei. Além de atrasos no pagamento de verbas rescisórias, saldo de salários e comissões, também há dificuldades relacionadas à liberação do FGTS e do seguro-desemprego.

A situação ganha ainda mais peso porque as demissões coletivas realizadas pela Casas Bahia passaram a ser questionadas judicialmente. A Justiça manteve a suspensão das dispensas coletivas e determinou a readmissão dos trabalhadores atingidos, além de impedir novas demissões coletivas sem negociação com os sindicatos.

Para o sindicato, é lamentável o tratamento dado pela Casas Bahia aos trabalhadores, especialmente àqueles com 10, 15 ou 20 anos de empresa. Segundo a entidade, a crise financeira não pode ser transferida aos funcionários, que têm direito a receber todas as verbas devidas. O sindicato afirma que continuará acompanhando os desligados e cobrando a regularização dos pagamentos e a liberação da documentação trabalhista. Ainda segundo Sebastião Costa, a principal reivindicação dos trabalhadores é receber seus direitos e seguir a vida profissional, sem interesse em retornar à empresa.