O Senado Federal deve continuar, na próxima semana, as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Enquanto o tema avança lentamente no plenário, senadores ligados à oposição articulam para que a votação fique para depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Desde terça-feira (6), as discussões têm ocorrido em sessões semipresenciais com baixa participação na tribuna. Embora o painel registrasse a presença de 60 parlamentares, apenas dois senadores haviam discursado até o momento relatado.
Por se tratar de uma PEC, a proposta precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno e por outras três sessões antes do segundo turno. O cumprimento dessas etapas é necessário para que a matéria avance na Casa.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, defendeu que a proposta não seja votada durante o período eleitoral. Já Flávio Bolsonaro declarou ser contrário ao fim da escala 6×1 e defende uma alternativa baseada na flexibilização da jornada de trabalho. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que ainda não havia recebido um pedido oficial para alterar o calendário de votação.
Trabalhadores não podem esperar
Para o Sindicato dos Comerciários de Fortaleza e Região, a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 são pautas fundamentais para a vida de milhões de trabalhadores e não devem ser deixadas em segundo plano por causa do calendário eleitoral.
No comércio, muitos profissionais enfrentam jornadas intensas, com pouco tempo para descansar, conviver com a família, estudar e cuidar da própria saúde. A discussão sobre a redução da jornada representa, portanto, um debate sobre qualidade de vida, dignidade e equilíbrio entre trabalho e descanso.
Adiar essa discussão significa prolongar a espera de quem sente, na prática, os efeitos de uma rotina de trabalho desgastante. Por isso, o Sindicato defende que os debates avancem e que a proposta seja tratada com a prioridade.