Dados do Ministério Público do Trabalho e da OIT mostram que, em 2025, vendedores no comércio varejista lidera afastamentos por saúde mental.
Em 2025, mais de 500 mil pessoas precisaram se afastar do trabalho por motivos de saúde mental, segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) coletados pelo sistema de com base nos dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por conta da saúde mental abalada Brasil. No topo da lista aparece o vendedor do comércio varejista, seguido por faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção. São ocupações que mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.
Segundo os dados, essas profissões têm em comum: contratos frágeis, pressão por metas, jornadas exaustivas, entre outros. São atividades com alta rotatividade, menos estabilidade contratual e essa forte pressão de produtividade. São fatores que frequentemente são associadas a um desgaste psicológico.
Ansiedade e depressão lideram diagnósticos de afastamento
Ao longo de 2025, foram concedidos 166.489 benefícios por transtornos mentais, episódios de depressão são responsáveis por 126.608 licenças. Esses dados são dos registros da Previdência Social.
Segundo o levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), também baseado nos dados do INSS, problemas de ansiedade, depressão, estresse grave, uso de álcool e síndrome de Burnout são as principais causas de afastamento do trabalho decorrente de quadros mentais diagnosticados.
De acordo com a psicóloga Débora Conde, a pressão constante por metas pode deixar de ser apenas estresse e evoluir silenciosamente para ansiedade, depressão ou esgotamento, muitas vezes percebidos apenas quando a saúde mental já está fragilizada. Ela também alerta sobre jornadas prolongadas que, associadas à insegurança contratual, geram impactos cumulativos e estruturais na saúde mental, alterando a forma como a pessoa pensa, sente e se percebe.
“A prevenção do adoecimento mental no trabalho depende do equilíbrio entre responsabilidade organizacional e individual. Empresas podem adotar metas realistas, clareza de expectativas, gestão humanizada, controle da carga, políticas de descanso e apoio à saúde mental” finaliza a psicóloga.
Sinais de alerta
Entre os principais sinais de alerta estão alterações de humor persistentes, irritabilidade, insônia, cansaço excessivo, dificuldade de concentração, queda de produtividade e isolamento social.
Para os trabalhadores, é importante buscar ajuda ao perceber os primeiros sintomas. O atendimento pode começar pela rede pública de saúde, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), ou por profissionais particulares.
Em casos em que o transtorno mental comprometa a capacidade laboral, o empregado pode ter direito ao afastamento pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mediante avaliação médica e cumprimento dos critérios legais.
A legislação trabalhista brasileira prevê que transtornos mentais podem garantir estabilidade provisória após alta. O período de estabilidade é de 12 meses. Isso ocorreu devido à inclusão destas enfermidades a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT). O Sindicato dos Comerciários e Região e sua assessoria jurídica orienta que o trabalhador reúna laudos, atestados e registros que comprovem a relação entre o adoecimento e a atividade exercida.
A saúde mental no trabalho deve ser tratada como prioridade estratégica e compromisso permanente de empregadores e do Estado.