
Na noite da última quarta-feira, 27, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que acaba com a escala 6×1 com jornada máxima de 40 horas semanais. Isso garante dois dias de descanso para milhões de trabalhadores do país.
A proposta também estabelece um período de adaptação para setores específicos e define que o fim da escala 6×1 começará a valer em até 60 dias após a promulgação da PEC, se for aprovada no Senado. As empresas terão 14 meses para se adaptarem às novas regras.
A aprovação aconteceu com ampla maioria na Câmara: No 1º turno, foram 472 votos a favor e 22 contra e no 2º turno com 461 votos a favor e 19 contra. A proposta segue para o Senado Federal, onde precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça e por duas votações em plenário para ser definitivamente aprovada.
Uma vitória da pressão popular
O avanço da PEC não aconteceu por acaso. A mobilização dos trabalhadores nas ruas, nas redes sociais e pelos sindicatos foi decisiva para colocar o tema no centro do debate nacional. Durante anos, trabalhadores sentem o impacto da escala 6×1 na sua saúde física e mental e no comércio, essa realidade é ainda mais dura.
Jornadas cansativas, domingos comprometidos, pouco tempo com os filhos e uma rotina que muitas vezes impede até o descanso básico. Para os comerciários, que convivem há décadas com jornadas exaustivas, a votação representa uma vitória. Para o Sindicato dos Comerciários de Fortaleza e Região, o trabalhar não deve abrir mão da própria vida para viver apenas para o trabalho, a redução da jornada é uma questão de dignidade humana, saúde e valorização do trabalhador.
Tentativas de barrar o projeto fracassaram
Mesmo com o forte apoio popular, parlamentares da direita e extrema-direita, como também aqueles que são representantes dos grandes empresários tentaram atrasar, enfraquecer e dificultar a aprovação da proposta. Usaram discursos alarmistas sobre supostos impactos econômicos, tentativas de aumentar o prazo de transição e esforços para esvaziar a votação.
Porém, a ampla aprovação da PEC mostrou que a maioria da Câmara entendeu a mensagem das ruas: o trabalhador brasileiro não aceita mais viver para trabalhar.
O que muda na prática?
Com a aprovação definitiva da PEC, a tendência é que trabalhadores tenham: Dois dias de descanso por semana, jornada máxima de 40 horas semanais, mais tempo para família, estudo e lazer, redução do desgaste físico e mental e melhor qualidade de vida.
Apesar da vitória na Câmara, a luta ainda não terminou. O movimento sindical seguirá mobilizado para garantir que o Senado aprove a proposta sem retrocessos e sem retirada de direitos.
O Sindicato dos Comerciários reafirma seu compromisso histórico com a defesa da classe trabalhadora e continuará acompanhando cada etapa da tramitação. O fim da escala 6×1 não é privilégio. É dignidade, saúde e um direito do trabalhador.